
OMS assinala desigualdades no acesso à saúde em Portugal
A Organização Mundial de Saúde considerou que se registaram grandes progressos na prestação de assistência médica em Portugal nos últimos cinco anos, mas assinala que continua a haver alguns problemas que é imperioso resolver.
Num estudo feito a pedido do Governo português, a OMS adianta que faltam médicos em algumas regiões de Portugal afastadas das grandes cidades e que a má distribuição de médicos também se alarga a enfermeiros.
Um responsável do gabinete europeu da OMS, esta questão deve ser mesmo uma prioridade para o Plano Nacional de Saúde 2011-2016, até porque «existem muitas políticas inovadoras para manter ou atrair profissionais para as áreas mais remotas».
Segundo Jeremy Veillard, a desigualdade no acesso aos serviços de saúde em Portugal também preocupa a OMS, uma vez que Portugal «é um dos países da Europa com maiores desigualdade no acesso a médicos especialistas».
«Quando desenvolvemos este tipo de planos, é muito importante envolver os cidadãos. Não é apenas fazer planos para eles, mas com eles e conseguir que falem sobre as suas casas e o que esperam de um Plano nacional de Saúde», acrescentou.
Apesar de ainda existirem muitos contrastes na saúde portuguesa, a OMS notou que quase metade dos objectivos traçados no Plano Nacional de Saúde 2004-2010 já foram atingidos.
Depois de conhecer os resultaqdos deste estudo, a Alta Comissária para a Saúde quer que o acesso aos cuidados médicos seja mais fácil, um dos quatro eixos transversais do próximo plano de saúde.
«A qualidade em saúde, a promoção da cidadania com a visão de que o cidadão tem de estar no centro e as políticas saudáveis» serão os outros eixos.
Maria do Céu Machado disse que «isto significa que nos vamos preocupar mais do que com uma doença ou grupo de doenças», mas mais com o «acesso a que se precisa».
«Se tiver diabetes ou cancro tem de ter acesso aos serviços de saúde que não tem nada a ver com outro problema qualquer que seja menor ou de importância diferente», concluiu.