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A realidade da tuberculose

Dr. Miguel Villar

É uma doença com um peso historial grande mas cujo aparecimento de novos casos tem vindo a diminuir. É possível prevenir apesar da fácil transmissão constituir uma desvantagem.

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria identificada em 1892 por Robert Kock, que lhe deu o nome de Mycobacterium tuberculosis. É a principal causa de morte provocada por uma doença infecciosa curável e representa um problema a nível global.

Continua a crescer, em números absolutos, estimando-se em 2008 a ocorrência de 9,4 milhões de casos em todo o mundo, com uma mortalidade de 1,3 milhões de pessoas. A maior parte dos casos de tuberculose ocorre na Ásia (50%) e em África (30%).

Como infecção oportunista, a tuberculose é a principal causa de morte nas pessoas com VIH/sida. Dos 9,4 milhões de casos acima referidos, 1,4 milhões estavam co-infectados pelo VIH (15%).

Em Portugal, em 2009, ocorreram 2565 casos novos de tuberculose (24,1 casos/100 mil habitantes), representando uma redução de 8% relativamente a 2008. Tem-se assistido, nos últimos 20 anos, a uma redução do número de casos no nosso país, sendo este decréscimo mais sustentado desde 2002. Do número total de casos diagnosticados em 2009 (2756 casos, que inclui casos novos e retratamentos), 15% verificaram-se em estrangeiros, dominando os doentes oriundos de Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

No que se refere à infecção VIH/sida, a sua prevalência entre as pessoas com tuberculose foi de 13% em 2009, representando a maior prevalência registada em toda a União Europeia.

Como se transmite?

Cerca de 70% dos casos de tuberculose diagnosticados são formas pulmonares e, destas, cerca de 50% são bacilíferas, isto é, contagiosas.

Estes doentes bacilíferos, ao tossirem, espirrarem ou mesmo falarem, eliminam para o ar uma quantidade maior ou menor de bacilos da tuberculose (conhecidos também por bacilos de Kock), os quais ficam em suspensão durante algum tempo, possibilitando a sua inalação para as vias respiratórias das pessoas que os rodeiam. Se o contacto com estes doentes for prolongado, há a possibilidade de as pessoas serem contagiadas e virem a contrair também uma tuberculose activa, o que dependerá da virulência do bacilo, do estado das defesas da pessoa contagiada ou de ambos.

Felizmente, na grande maioria dos casos, não se verifica a evolução para a tuberculose activa.

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Fonte:www.medicosdeportugal.pt, 20100729