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Desde Outubro do
ano passado que uma nova espécie de mosquitos, proveniente do Norte de África,
começou a causar forte consternação junto dos residentes de algumas zonas
do concelho do Funchal. Mas o problema, que ainda parece estar longe de
estar controlado, promete continuar a trazer novos e mais dissabores para
toda a Região.
Segundo o estudo que visou determinar a
sensibilidade do arquipélago da Madeira às Alterações Globais do Clima, no
âmbito do CLIMAAT II, projecto financiado pelo INTERREG III-B, nos próximos
anos o risco de transmissão de doenças por meio de mosquitos e parasitas vai
aumentar em grande escala.
Segundo o documento coordenado por Filipe
Duarte Santos e Ricardo Aguiar, "as alterações climáticas podem
proporcionar condições mais favoráveis para a sobrevivência dos mosquitos e
desenvolvimento dos parasitas". É neste sentido que o actual baixo
risco de transmissão de doenças como a dengue e a febre-amarela pode passar
a ser muito mais elevado, atingido até aquilo que os cientistas referem
como "preocupante".
Aumentará também o risco de transmissão
da malária da febre do Nilo Ocidental e a leishmaniose cutânea (doença
transmitida por um pequeno mosquito), que actualmente não tem expressão na
Madeira, pode vir a ganhar outros contornos.
Para além da transmissão por meio de
mosquitos, as condições climáticas que se avizinham nas próximas décadas
serão também propícias à propagação de patologias por meio de carraças. É o
caso da doença de Lyme, da qual não existem hoje em dia casos na Região,
mas que com o clima mais quente que se pode esperar no futuro e consequente
maior exposição às carraças, é provável que o risco de transmissão da
doença aumente exponencialmente. O mesmo se irá passar com a anaplasmose
(doença febril não específica aguda) e a febre escaro-nodular (doença
endémica em Portugal).
Embora sendo menos sensíveis às condições
climáticas, as pulgas também transmitem algumas doenças que se desenvolvem
com mais facilidade no tempo quente. É o caso do tifo murino (doença
infecciosa com quadro clínico de síndroma febril e lesões vasculares) da
qual se prevê um aumento de casos.
O estudo sobre o impacto das alterações
climáticas na Região refere ainda, no âmbito da saúde humana, uma possível
diminuição da leptospirose, uma doença associada aos roedores e que é
prevalente na Madeira e no Porto Santo. A possível redução é justificada
"uma vez que os cenários mostram, embora com muita incerteza" uma
diminuição nos dias de precipitação extrema".
Os cientistas envolvidos no projecto
admitem também que poderá haver uma maior prevalência de doenças
respiratórias, já que podem aumentar os impactos na saúde causados pelas
maiores concentrações de ozono. Acima de tudo, e neste capítulo da saúde, o
estudo alerta para o facto de que "o comércio global e o turismo podem
introduzir novos vectores e patogénicos na RAM, sendo que as condições
climáticas favoráveis, actuais e futuras, podem em geral facilitar a
sobrevivência destes agentes e assim aumentar o risco de transmissão".
A possibilidade e o risco cada vez maior de contrair doenças como a
febre-amarela e da dengue pode, em última instância, "tornar-se uma
preocupação para o sector do Turismo".
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