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O adolescente
atropelado este fim-de-semana no Bairro da Nogueira estava sem capacete
quando bateu com a cabeça na parte da frente de uma carrinha de caixa
aberta. Ia numa bicicleta que tinha só os travões de trás, embalado numa
descida, sem saber que o Código de Estrada obriga o uso de capacete a quem
circula de velocípede.
Não se sabe que consequências teria o
atropelamento se levasse protecção na cabeça. Se seria menos grave, se não
ficava em coma. As novas regras de segurança - as que obrigam a proteger a
cabeça e recomendam o mesmo para os joelhos e cotovelos - indicam que, em
caso de acidente, ficam em melhor estado os que estão mais protegidos.
"O facto é que não é fácil impor
normas de segurança a adolescentes e crianças. Estas são idades de risco e
aventuras", explica Filomeno Paulo, cirurgião pediátrico e presidente
do conselho de administração do Hospital Central do Funchal. Ao longo da
carreira, este médico atendeu miúdos vítimas destas aventuras da idade.
A cultura de segurança está, no entanto,
a mudar comportamentos. Já se usa o cinto de segurança no carro e capacete
quando se anda de motorizada ou bicicleta. "Cada vez mais isso é
assim, existe mais preocupação", garante Filomeno Paulo com base nos
anos de experiência como médico.
Cada vez mais, mas nem sempre. O uso do
cinto de segurança no banco de trás (obrigatório por lei) ainda não entrou
nos hábitos dos portugueses. O capacete é frequente nas viagens de
motorizada, mas a preocupação abranda com as bicicletas. Esta
despreocupação não se compreende. O Código de Estrada exige capacete para
circular de bicicleta pela via pública. Segundo Adelino Pimenta, comissário
da Divisão de Trânsito da PSP, a legislação exige também luzes à frente e
atrás da bicicleta e reflectores nas rodas.
Embora os atropelamentos (por azar ou
descuido) sejam mais mediáticos, as regras de segurança não se devem ficar
apenas para quem circula na estrada. O uso do capacete deve manter-se
quando se brinca de bicicleta no jardim. Até porque dizem os números que a
grande maioria dos acidentes com crianças acontece em casa.
Às Urgências do Hospital Central do
Funchal, lembra Filomeno Paulo, chegam meninos e meninas com traumatismos
cranianos porque caíram de um terraço sem protecção ou porque andaram pela
cozinha sem vigilância. "E uma cozinha é lugar muito perigoso. Uma
frigideira com óleo a ferver, as mãos na porta do forno". Exemplos dos
muitos riscos que uma casa representa quando não se tem a noção do risco.
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