Os atropelamentos são mediáticos, mas a maioria

dos acidentes com crianças acontecem em casa.

Capacete obrigatório para circular de bicicleta na via pública

Seja criança ou adulto; em competição ou a passeio. O Código de Estrada obriga ao uso de capacete a quem anda de bicicleta

Os comportamentos estão a mudar. Já se usa cinto de segurança nos carros, embora se esqueça de colocá-lo quando se vai no banco de trás.

Data: 13-03-2007


O adolescente atropelado este fim-de-semana no Bairro da Nogueira estava sem capacete quando bateu com a cabeça na parte da frente de uma carrinha de caixa aberta. Ia numa bicicleta que tinha só os travões de trás, embalado numa descida, sem saber que o Código de Estrada obriga o uso de capacete a quem circula de velocípede.


Não se sabe que consequências teria o atropelamento se levasse protecção na cabeça. Se seria menos grave, se não ficava em coma. As novas regras de segurança - as que obrigam a proteger a cabeça e recomendam o mesmo para os joelhos e cotovelos - indicam que, em caso de acidente, ficam em melhor estado os que estão mais protegidos.

"O facto é que não é fácil impor normas de segurança a adolescentes e crianças. Estas são idades de risco e aventuras", explica Filomeno Paulo, cirurgião pediátrico e presidente do conselho de administração do Hospital Central do Funchal. Ao longo da carreira, este médico atendeu miúdos vítimas destas aventuras da idade.


A cultura de segurança está, no entanto, a mudar comportamentos. Já se usa o cinto de segurança no carro e capacete quando se anda de motorizada ou bicicleta. "Cada vez mais isso é assim, existe mais preocupação", garante Filomeno Paulo com base nos anos de experiência como médico.


Cada vez mais, mas nem sempre. O uso do cinto de segurança no banco de trás (obrigatório por lei) ainda não entrou nos hábitos dos portugueses. O capacete é frequente nas viagens de motorizada, mas a preocupação abranda com as bicicletas. Esta despreocupação não se compreende. O Código de Estrada exige capacete para circular de bicicleta pela via pública. Segundo Adelino Pimenta, comissário da Divisão de Trânsito da PSP, a legislação exige também luzes à frente e atrás da bicicleta e reflectores nas rodas.


Embora os atropelamentos (por azar ou descuido) sejam mais mediáticos, as regras de segurança não se devem ficar apenas para quem circula na estrada. O uso do capacete deve manter-se quando se brinca de bicicleta no jardim. Até porque dizem os números que a grande maioria dos acidentes com crianças acontece em casa.


Às Urgências do Hospital Central do Funchal, lembra Filomeno Paulo, chegam meninos e meninas com traumatismos cranianos porque caíram de um terraço sem protecção ou porque andaram pela cozinha sem vigilância. "E uma cozinha é lugar muito perigoso. Uma frigideira com óleo a ferver, as mãos na porta do forno". Exemplos dos muitos riscos que uma casa representa quando não se tem a noção do risco.

 

Marta Caires