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Com a evolução
tecnológica e socioeconómica e a tendência cada vez maior para substituir as
actividades físicas que levam ao gasto energético, o ser humano acomoda-se e
adopta cada vez mais a lei do menos esforço, reduzindo assim o consumo
energético do seu corpo. Para além disso, com uma vida profissional
totalmente preenchida, a maioria das pessoas vê-se agarrada, durante quase
todo o dia, a uma cadeira, fazendo com que a actividade física seja
praticamente inexistente.
O comportamento induzido por hábitos decorrentes dos
confortos da vida moderna é comummente conhecido por sedentarismo. Trata-se
de um comportamento que pode ser considerado como o mais relevante entre os
factores de risco, dado que é a principal causa do aumento da incidência de
várias doenças.
Segundo o fisioterapeuta Marco Gonçalves, a professora de
Educação Física Cristina Gonçalves e o ortopedista Fernando Silva, a prática
de exercício físico é fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida do
indivíduo, independentemente da sua idade, evitando o aparecimento de
diversas doenças físicas e até mesmo psíquicas.
Consequências
A vida sedentária afecta a
vida de uma pessoa nos mais diversos aspectos, na medida em que são gastas
poucas calorias (menos de 2.200 calorias/semana).
Além de contribuír para o aumento do “stress”, provoca o
desuso dos sistemas funcionais. Isto é, o aparelho locomotor, os órgãos e os
sistemas solicitados durante as diferentes formas de actividade física entram
num processo de regressão funcional no caso dos músculos. As fibras
musculares atrofiam, há perda de flexibilidade articular, além de afectar o
comportamento funcional de vários órgãos. Isto implica que mais facilmente
haverá lesões ou até mesmo doenças.
Hipertensão arterial, diabetes tipo 2, obesidade,
ansiedade, aumento do colesterol e enfarte do miocárdio (o aparelho
cardiovascular habitua-se a uma baixa frequência cardíaca) são algumas das
doenças às quais o indivíduo sedentário se expõe.
O sedentarismo é considerado o principal factor de risco
para a morte súbita, estando, na maioria das vezes, associado, directa ou
indirectamente, às causas ou ao agravamento da grande maioria das doenças.
Refira-se que estas doenças estão também associadas a uma
dieta alimentar inadequada característica da era moderna.
Corpo em equilíbrio
Para que o corpo humano possa estar em equilíbrio, precisa
de gozar de saúde física, mental, psíquica e emocional. Para isso, é preciso
garantir uma certa quantidade de exercícios físicos em condições adequadas e
manter o sono reparador para o alívio das tensões e cargas a que o indivíduo
está diariamente sujeito, além de uma alimentação equilibrada.
A actividade física regular e na quantidade certa ajuda a
desenvolver ossos mais fortes, uma actividade mental mais positiva, melhor
circulação sanguínea e maior protecção contra doenças cardíacas. Ajuda ainda
a combater a ansiedade, levando assim a um equilíbrio emocional.
Segundo alguns estudos científicos, a prática de
actividade física, realizada com prazer, por um período mínimo de 30 minutos
por dia, seja de forma contínua ou acumulada, é a dose suficiente para
previnir doenças e melhorar a qualidade de vida.
Algumas soluções práticas
Embora a vida nos grandes centros urbanos imponha
dificuldades para encontrar tempo e locais disponíveis para a prática de
exercício físico, não é de todo impossível praticar uma actividade. As
alternativas possíveis, muitas vezes, estão ao alcance do cidadão, mas passam
despercebidas.
Para atingir o mínimo de actividade física semanal e aumentar
o gasto calórico, existem várias propostas que podem ser adoptadas de acordo
com as possibilidades ou conveniências de cada um.
Praticar actividades desportivas como andar, correr,
pedalar, nadar, fazer ginástica, exercícios com pesos ou jogar à bola é uma
proposta válida para evitar o sedentarismo e fundamental para melhorar a
qualidade de vida. Para aqueles que não têm tempo para praticar exercício ao
ar livre, existem alternativas como subir dois ou três andares de escada ao
chegar a casa ou ao trabalho, dispensar o controlo remoto ou estacionar o
automóvel intencionalmente num local mais distante.
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