Aumento de casos de autodiagnóstico demonstra preocupação com a saúde

“Check-up” com muita procura

 

O número de pessoas que procuram o médico com o seu diagnóstico já feito está a aumentar. Muitos são aqueles que consultam a internet, fazem o seu diagnóstico e automedicam-se. De qualquer forma, esse grupo é restrito. O que acontece com maior frequência é as pessoas pedirem um “check-up”. Para sossegar “os nervos”.

 

Consultar as páginas da internet para saber sobre questões de saúde pode ser perigoso. O aumento do número de casos de autodiagnóstico e de aplicação de tratamentos, sem ouvir um especialista, está a originar um novo fenómeno: a cybercondria.
O mais natural, é procurar-se ajuda médica sempre que surgem sintomas anormais e que demonstram que algo está errado com o nosso organismo. No entanto, e com o aparecimento da internet, são cada vez mais, as pessoas que consultam páginas inteiras dedicadas às várias patologias. O problema não está aqui já que mais informação na "bagagem" nunca é prejudicial.
As coisas complicam-se quando, para além da "consulta" na internet, o cibernauta faz um autodiagnóstico e passa a acreditar que tem aquela doença. A fase seguinte costuma ser a da procura dos tratamentos mais inovadores para a suposta patologia.
Os médicos estão cada vez mais preocupados com o crescimento deste fenómeno. Isto tendo em conta que alguns pacientes chegam às consultas com o problema original e outro criado por uma medicação por um tratamento inadequado.
Em declarações prestadas ao JORNAL da MADEIRA, o clínico geral Gabriel Gil admite que, na realidade, já vão aparecendo alguns doentes com “informações” retiradas da internet. Mas diz que a frequência é maior quando estes se fazem acompanhar de alguns familiares. “A família quer saber sempre mais alguma coisa para ajudar o seu doente”, explica.
Mas o que acontece com muita frequência, segundo aquele médico, é surgirem pessoas a pedirem um “check-up”. Gabriel Gil diz que as pessoas estão cada vez mais preocupadas com a sua saúde e a situação piora sempre que algo de mal acontece a um vizinho ou a um amigo.
“Muitos vêm ao consultório porque souberam que um amigo novo descobriu uma doença muito má e querem fazer exames para dispistar e sossegar o seu nervosismo”, diz Gabriel Gil.

Aumenta procura
do “check-up”

O médico refere, como exemplo, o facto de nos últimos tempos, as listas de espera para “provas de esforço” estarem muito mais “cheias”. E tudo por causa das mortes súbitas de jogadores de futebol. Mortes assistidas ao vivo e que abalaram muitas pessoas.
Estas situações e outras semelhantes que acontecem no dia-a-dia com as pessoas que mais convivemos, o stress no trabalho, as más condições de trabalho fazem com que “as pessoas sintam dores em todo o lado e tenham necessidade de procurar o médico para saberem o que têm e se é ou não motivo de preocupação”, considera Gabriel Gil.


Carla Ribeiro