Madeira desconhece uso de Progesterex para criminalidade

Medicamento amnésico assusta noctívagas

 

Não há conhecimento de casos na Madeira mas o facto é que o e-mail está a circular e a deixar algumas pessoas em pânico. Isto muito em particular aqueles que gostam de “visitar” bares e discotecas. A história conta-se assim: alegadamente, alguns homens estão a utilizar progesterex, um medicamento utilizado pelos veterinários, para provocarem amnésia às suas vítimas e violá-as. Outros usam o produto para provocar o roubo. A PJ da Região não tem queixas. Obstetra e veterinário nunca ouviram falar em semelhante coisa.

 

“Progesterex" é um medicamento utilizado por veterinários como anti-concepcional injectável. Mas, ao que consta, conforme tem sido feito passar através de uma mensagem de alerta divulgada na Internet, este medicamento esteve e pode estar a ser usado — embora já tenha sido retirado do mercado por razões não especificadas na altura — em bares e discotecas por potenciais conquistadores de corações que, oferecendo uma bebida a quem por lá passa, tentavam provocar amnésia e violar as suas vítimas.
A informação está a causar algum receio junto daqueles que estão a receber o referido e-mail, muito em particular, as noctívagas.
O medicamento é "acusado" de, quando utilizado com uma outra substância, servir também para evitar uma gravidez.
O mesmo alerta dá conta de que "quem tomar Progesterex" jamais conseguirá engravidar.
O JORNAL da MADEIRA ouviu, a propósito desta matéria, o obstetra e ginecologista Sotero Gomes, o qual considerou que esta informação é muito especulativa e pode não corresponder à verdade.
Sotero Gomes diz não acreditar que o "Progesterex" faça com que uma mulher fique infértil. “Isso não é bem assim. Pode trazer alguma infuência negativa mas nada de tão alarmante”, disse-nos.
Para além disso e questionado sobre se tem conhecimento de algum caso na Região de vítimas de drogas desta natureza para serem violadas, Sotero Gomes respondeu que não. “Nem ouvi falar que tivesse acontecido na Região com esse tipo de droga nem no resto do País.
Estou a ouvir falar pela primeira vez”, sublinhou o ginecologista.
O JM contactou também a Sociedade Protectora dos Animais.
Ali, disseram-nos que, na verdade, os veterinários fazem uso desse medicamento mas referiram que, actualmente, nem sequer está a ser o mais utilizado. “Que saibamos, nem nós, nem as clínicas veterinárias da Região estão a optar por esse medicamento”, disse-nos fonte da SPAD, a qual garantiu ainda que não é fácil adquirir o Progesterex, o qual só pode ser comprado mediante receita médica e depois de uma assistência prévia ao animal doente. Uma clínica veterinária da Região, garantiu-nos mesmo que o Progesterex não existe no mercado português há dois anos. Por outro lado, disse já ter recebido o e-mail em causa há mais de dois anos mas não sabe sobre se o “Progesterex” causa, na realidade, amnésia e infertilidade às mulheres. O veterinário diz mesmo que é preciso ter cuidado com as informações que circulam na net já que estas muitas vezes visam denegrir empresas ou marcas como um puro acto de vingança.
Fonte remetente do e-mail, da reitoria da Universidade do Porto, diz não conhecer a existência de qualquer caso de vítimas do "Progesterex" no nosso País e sublinha que se sujeitou a reenviar o e-mail como um alerta pensando que poderia ajudar algumas pessoas.

 

Carla Ribeiro